Cavidada timpânica

Cavitas tympani

  • Sinônimo em latim: Tympanum

Definição

Muhammad A. Javaid

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Cavidade timpânica refere-se à cavidade da orelha média. É um espaço preenchido por ar, revestido por membrana mucosa, situado na parte petrosa do osso temporal.

A cavidade timpânica (ou cavidade da orelha média) compreende três subdivisões:

  • Mesotímpano — refere-se ao espaço da orelha média adjacente à membrana timpânica

  • Um recesso epitimpânico — situado acima do nível da membrana timpânica

  • Um hipotímpano — situado abaixo do nível da membrana timpânica

A cavidade timpânica comunica-se com outros espaços da região da orelha, nariz e garganta. Por exemplo, conecta-se anteriormente com a parte nasal da faringe (por meio da tuba auditiva), enquanto se estende posteriormente para as células aéreas mastóideas através do recesso epitimpânico. Assim, em casos de nasofaringite, a infecção pode se disseminar para a cavidade timpânica, levando à infecção da orelha média ou otite média. Esta pode se propagar ainda para as células aéreas mastóideas, causando mastoidite.

Há três pequenos ossos interconectados, denominados ossículos da audição — o martelo, a bigorna e o estribo —, situados dentro da cavidade timpânica. Estes conectam a membrana timpânica à janela oval da orelha interna, o que lhes permite transmitir as vibrações sonoras da membrana timpânica para a orelha interna. Os ossículos recebem inserções de dois músculos importantes, o músculo tensor do tímpano e o músculo estapédio (inervados, respectivamente, pelos nervos trigêmeo e facial). Ambos os músculos se contraem para limitar os movimentos dos ossículos. Portanto, paralisias dos nervos trigêmeo e facial podem levar à hiperacusia, na qual o paciente ouve sons mais altos do que o normal, em razão de uma amplitude de vibração anormalmente aumentada e sem inibição desses ossículos.

A inervação sensitiva da mucosa de revestimento da cavidade timpânica é fornecida pelo plexo timpânico, formado principalmente pelo ramo timpânico do nervo glossofaríngeo e por ramos do plexo da artéria carótida interna. Um nervo importante, denominado corda do tímpano, atravessa a cavidade da orelha média; portanto, a infecção dessa cavidade (otite média) pode levar a uma alteração da sensação gustativa.

A cavidade timpânica assemelha-se a um espaço em forma de caixa, com paredes anterior, posterior, medial, lateral, superior e inferior:

  • A parede anterior é incompleta superiormente devido à abertura para a tuba faringotimpânica (auditiva), enquanto inferiormente separa a cavidade da orelha média da artéria carótida interna, situada à sua frente.

  • A parede posterior ou parede mastóidea também é incompleta superiormente, em razão da comunicação do recesso epitimpânico com o antro mastóideo.

  • A parede lateral ou parede membranácea relaciona-se inferiormente com a membrana timpânica, enquanto a parede lateral superior é óssea e delimita o recesso epitimpânico.

  • A parede inferior (assoalho) ou parede jugular é uma fina camada óssea que separa a cavidade timpânica da veia jugular interna.

  • A parede superior ou parede tegmental corresponde a uma fina camada óssea denominada tegme timpânico. Ela separa a cavidade timpânica da fossa média do crânio.

  • A parede medial ou parede labiríntica da cavidade timpânica constitui, na verdade, a parede lateral da orelha interna ou labirinto. Caracteriza-se por uma saliência arredondada denominada promontório, formada pela espira basal da cóclea. Sobre ela situa-se o plexo timpânico, que recebe contribuições do ramo timpânico do nervo glossofaríngeo e do plexo da artéria carótida interna, e do qual emerge o nervo petroso menor, destinado a alcançar o gânglio ótico. Outras estruturas importantes da parede medial incluem as janelas oval e redonda. A janela oval serve como sítio de inserção do estribo. Além disso, posterossuperior à janela oval, observam-se também as prominências dos canais semicirculares facial e lateral.

Referências

  • Drake, R.L., Vogl, A.W. and Mitchell, A.W.M. (2009). ‘Chapter 8: Head and Neck’ in Gray’s anatomy for Students. (2nd ed.) Philadelphia PA 19103-2899: Elsevier, pp. 906-912.

  • Standring, S. and Gray, H. (2016). ‘Chapter 37: External and middle ear’ in Gray’s anatomy The anatomical Basis of Clinical Practice. (41st ed.) New York: Elsevier, pp. 632.

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