Nervos torácicos
Nervi thoracici
- Sinônimo em latim: Nervi spinales T1-T12
- Termos relacionados: Nervos torácicos [T1-T12]
Definição
Os nervos torácicos, também denominados nervos espinais torácicos, consistem em 12 pares (T1-T12) que emergem abaixo das vértebras torácicas correspondentes. Esses nervos são mistos, conduzindo tanto fibras motoras (eferentes somáticas) quanto sensitivas (aferentes somáticas), e desempenham um papel fundamental na inervação das regiões torácica e abdominal.
Anatomia geral e estrutura
Raízes
Cada nervo torácico é formado pela união de:
Raiz posterior (dorsal): Contém fibras sensitivas que transmitem sensações do corpo para a medula espinal.
Raiz anterior (ventral): Conduz fibras motoras da medula espinal para os músculos esqueléticos.
Nervo misto e ramos primários
No forame intervertebral, as raízes se unem para formar um nervo espinal misto, que logo se divide em:
Ramo anterior (ventral): Supre a parede torácica, a parede abdominal e a pele anterior.
Ramo posterior (dorsal): Inerva os músculos e a pele do dorso.
Nervos intercostais
Onze dos ramos anteriores percorrem os espaços intercostais como nervos intercostais, enquanto o décimo segundo, conhecido como nervo subcostal, situa-se abaixo da última costela. Os nervos intercostais diferem dos demais nervos espinais por não formarem um plexo, mantendo, em vez disso, um trajeto independente.
Distribuição funcional
Ramos anteriores (nervos intercostais)
1. Inervação motora
Os músculos intercostais externos, internos e íntimos, juntamente com os músculos subcostal e transverso do tórax.
Os nervos torácicos inferiores (T7-T12) também inervam os músculos da parede abdominal, como o músculo oblíquo externo do abdome, o músculo oblíquo interno do abdome, o músculo transverso do abdome e o músculo reto do abdome. Além disso, T12 inerva o músculo quadrado do lombo.
O ramo anterior do primeiro nervo torácico também inerva a musculatura do membro superior.
2. Inervação sensitiva
Sensibilidade cutânea por meio dos ramos laterais e dos ramos cutâneos anteriores, correspondendo a dermátomos específicos.
Estruturas mais profundas, como a pleura parietal e o peritônio.
3. Trajeto
- Os nervos intercostais percorrem o espaço intercostal, alojados no sulco da costela, acompanhados pelas artérias e veias intercostais como parte de um feixe neurovascular. Esse feixe está posicionado entre os músculos intercostais internos e íntimos.
Ramos posteriores
Os ramos posteriores dos nervos torácicos se distribuem para os músculos profundos e a pele do dorso. Dividem-se em:
1. Ramos laterais
- Inervam músculos como o músculo íliocostal e o músculo longuíssimo (grupo do músculo eretor da espinha) e os músculos levantadores das costelas, além de um ramo cutâneo para o dorso.
2. Ramos mediais
- Destinam-se ao músculo espinal, ao transversoespinal (multífido, músculo semi-espinal, músculos rotadores) e aos músculos segmentares (músculos interespinais, músculos intertransversários). Esses ramos também inervam as articulações dos processos articulares e os tecidos conjuntivos.
3. Ramo cutâneo posterior
Estruturas e ramos associados
1. Nervo meníngeo recorrente
- Originam-se dos nervos torácicos e reentram imediatamente no canal vertebral para fornecer inervação sensitiva a estruturas como as meninges, os discos intervertebrais, os corpos vertebrais e o periósteo.
2. Conexões simpáticas
- Os nervos torácicos conectam-se ao tronco simpático por meio dos ramos comunicantes cinzentos e brancos, possibilitando a troca de fibras autonômicas. As fibras pré-ganglionares transmitem impulsos ao tronco simpático, enquanto as fibras pós-ganglionares regulam alvos periféricos, como as glândulas sudoríparas e o tônus vascular.
Significado clínico
Cada nervo espinal torácico corresponde a um dermátomo específico, servindo de base para o diagnóstico de condições que envolvem lesão ou irritação nervosa, como a neuralgia intercostal ou a radiculopatia. Esses nervos também desempenham um papel na manutenção da integridade da parede torácica e abdominal, ressaltando sua importância na respiração e no movimento.
Referências