Nervo olfatório
Nervus olfactorius
- Sinônimo em latim: Nervus cranialis I
- Termos relacionados: Nervo olfatório [I]
Definição
Número: I
Nome: Olfatório
Sensitivo, motor ou misto: Exclusivamente sensitivo
Origem: Mucosa olfatória nasal
Núcleos: Núcleo olfatório anterior
Função: Transmite o sentido do olfato da cavidade nasal ao bulbo olfatório.
Descrição:
Nervos olfatórios: Os nervos olfatórios originam-se das células receptoras olfatórias situadas na mucosa olfatória na porção superior da cavidade nasal, acima da concha nasal superior. Essas células receptoras bipolares, intercaladas entre células de suporte, possuem um espesso processo periférico que se estende até a superfície da mucosa e um delgado processo central. Cílios curtos, conhecidos como pelos olfatórios, emergem do processo periférico, penetrando na camada de muco para reagir com odores transportados pelo ar, estimulando assim as células olfatórias.
Fibras e feixes do nervo olfatório: Os processos centrais constituem as fibras do nervo olfatório. Essas fibras amielínicas, revestidas por células de Schwann, formam feixes que atravessam a lâmina cribriforme do etmóide para alcançar o bulbo olfatório.
Bulbo olfatório: Estrutura ovoide que abriga diversos tipos de neurônios. As células principais do bulbo olfatório são as células mitrais. Nessa estrutura, as fibras do nervo olfatório fazem sinapse com os dendritos das células mitrais nos glomérulos sinápticos. Além disso, células tufosas e granulares menores interagem com as células mitrais. O bulbo olfatório também recebe axônios do bulbo contralateral por meio do trato olfatório.
Trato olfatório: Essa delgada faixa de substância branca estende-se da extremidade posterior do bulbo olfatório pela face inferior do lobo frontal, sendo composta por axônios de células mitrais e tufosas, além de fibras provenientes do bulbo contralateral. Ao alcançar a substância perfurada anterior, o trato se divide nas estrias olfatórias medial e lateral. A estria olfatória lateral direciona axônios ao córtex olfatório primário nas áreas periamigdaloide e piriforme anterior. Por sua vez, a estria olfatória medial conduz fibras através da comissura anterior até o bulbo olfatório contralateral.
Córtex olfatório: As áreas periamigdaloide e piriforme anterior constituem o córtex olfatório primário, enquanto a área entorrinal (área 28) do giro parahipocampal, que recebe aferências do córtex primário, constitui o córtex olfatório secundário. Essas áreas corticais discriminam os estímulos olfatórios. Diferentemente de outras vias sensitivas, a via olfatória compreende apenas dois neurônios e alcança o córtex sem fazer sinapse no tálamo. O córtex olfatório primário também envia fibras a diversos centros encefálicos para mediar as respostas olfatórias emocionais e autonômicas.
Significado clínico: A anosmia, ou perda do olfato, pode ocorrer bilateralmente em doenças da mucosa olfatória, como resfriado comum ou rinite alérgica. Outras causas de anosmia incluem fratura da fossa anterior do crânio com acometimento da lâmina cribriforme do etmóide, com laceração dos nervos olfatórios, tumores do córtex frontal ou meningiomas da fossa anterior do crânio.
Referências
Snell, R.S. (2010). ‘Chapter 11: The cranial nerve nuclei and their central connections and distribution’, in Clinical Neuroanatomy. (7th ed.) Philadelphia: Wolters Kluwer Health/Lippincott Williams & Wilkins, pp. 335-336.