Músculo esfincter externo do ânus
Musculus sphincter ani externus
Definição
O esfíncter anal externo é um músculo estriado voluntário que forma uma tênia circular ao redor do canal anal. É o principal músculo envolvido no fechamento anal consciente, proporcionando controle sobre a expulsão fecal em coordenação com o esfíncter anal interno e as estruturas perineais adjacentes.
Origem: Corpo perineal e tecido conjuntivo circundante
Inserção: Circunda o canal anal; algumas fibras se inserem no ligamento anococcígeo ou na fáscia coccígea
Nervo: Nervo retal caudal, um ramo do nervo pudendo
Ação: Constrição voluntária do canal anal; manutenção da continência fecal
Artéria: Artéria retal caudal, um ramo da artéria pudenda interna
Anatomia por Espécie
1. Canino (Cão)
Origem e inserção: Circunda o canal anal e se ancora no corpo perineal e no tecido conjuntivo circundante. Algumas fibras se mesclam com os músculos elevador do ânus e coccígeo.
Estrutura: Tripartido em algumas descrições — subdividido em partes subcutânea, superficial e profunda.
Inervação: Ramo retal caudal do nervo pudendo (somático).
Função: Mantém a continência fecal e se contrai durante os esforços voluntários de defecação.
2. Felino (Gato)
Semelhante ao do cão, embora relativamente menos robusto.
Também inervado pelo nervo pudendo e participa tanto do controle voluntário quanto do reflexo.
3. Equino (Cavalo)
Músculo bem desenvolvido devido ao grande diâmetro anal e ao substancial volume fecal.
Fortemente fixado às vértebras coccígeas por meio de fáscia.
Importante durante a defecação; facilmente palpável no exame retal ou na avaliação do tônus da cauda.
4. Ruminantes (Bovinos, Caprinos, Ovinos)
Ligeiramente mais fibroso nos bovinos.
Desempenha função semelhante entre as espécies — controle voluntário do fechamento anal.
Frequentemente avaliado na prática clínica quanto ao tônus neuromuscular durante a avaliação neurológica.
5. Suíno (Porco)
Estrutural e funcionalmente análogo ao do cão.
Desempenha papel clínico menos relevante devido às diferenças no manejo e na contenção, mas ainda é importante para a integridade anorretal.
Relevância Funcional e Clínica
Inervação: O esfíncter anal externo é inervado pelo nervo retal caudal, um ramo terminal do nervo pudendo. Esse nervo somático fornece o controle motor voluntário necessário para a continência fecal.
Vascularização: Suprido por ramos da artéria retal caudal, um ramo da artéria pudenda interna.
Drenagem linfática: Principalmente para os nódulos linfáticos inguinais superficiais e linfonodos ilíacos mediais.
Importância clínica:
A perda de função pode ocorrer com lesão do nervo pudendo (por exemplo, após distocia ou trauma pélvico).
A palpação do tônus do esfíncter anal externo é utilizada em exames neurológicos para avaliar a função da medula espinal sacral.
O tônus do esfíncter anal externo contribui para a continência; a disfunção pode resultar em incontinência fecal, frequentemente observada em lesões da medula espinal ou neuropatias.
Referências
Dyce KM, Sack WO, Wensing CJG. Textbook of Veterinary Anatomy. 5th ed. Saunders; 2017.
Evans HE, de Lahunta A. Miller’s Anatomy of the Dog. 5th ed. Elsevier; 2020.
König HE, Liebich HG. Veterinary Anatomy of Domestic Mammals: Textbook and Colour Atlas. 6th ed. Schattauer; 2020.