Músculo esfincter externo do ânus

Musculus sphincter ani externus

Definição

Antoine Micheau

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O esfíncter anal externo é um músculo estriado voluntário que forma uma tênia circular ao redor do canal anal. É o principal músculo envolvido no fechamento anal consciente, proporcionando controle sobre a expulsão fecal em coordenação com o esfíncter anal interno e as estruturas perineais adjacentes.

Origem: Corpo perineal e tecido conjuntivo circundante

Inserção: Circunda o canal anal; algumas fibras se inserem no ligamento anococcígeo ou na fáscia coccígea

Nervo: Nervo retal caudal, um ramo do nervo pudendo

Ação: Constrição voluntária do canal anal; manutenção da continência fecal

Artéria: Artéria retal caudal, um ramo da artéria pudenda interna

Anatomia por Espécie

1. Canino (Cão)

  • Origem e inserção: Circunda o canal anal e se ancora no corpo perineal e no tecido conjuntivo circundante. Algumas fibras se mesclam com os músculos elevador do ânus e coccígeo.

  • Estrutura: Tripartido em algumas descrições — subdividido em partes subcutânea, superficial e profunda.

  • Inervação: Ramo retal caudal do nervo pudendo (somático).

  • Função: Mantém a continência fecal e se contrai durante os esforços voluntários de defecação.

2. Felino (Gato)

  • Semelhante ao do cão, embora relativamente menos robusto.

  • Também inervado pelo nervo pudendo e participa tanto do controle voluntário quanto do reflexo.

3. Equino (Cavalo)

  • Músculo bem desenvolvido devido ao grande diâmetro anal e ao substancial volume fecal.

  • Fortemente fixado às vértebras coccígeas por meio de fáscia.

  • Importante durante a defecação; facilmente palpável no exame retal ou na avaliação do tônus da cauda.

4. Ruminantes (Bovinos, Caprinos, Ovinos)

  • Ligeiramente mais fibroso nos bovinos.

  • Desempenha função semelhante entre as espécies — controle voluntário do fechamento anal.

  • Frequentemente avaliado na prática clínica quanto ao tônus neuromuscular durante a avaliação neurológica.

5. Suíno (Porco)

  • Estrutural e funcionalmente análogo ao do cão.

  • Desempenha papel clínico menos relevante devido às diferenças no manejo e na contenção, mas ainda é importante para a integridade anorretal.

Relevância Funcional e Clínica
  • Inervação: O esfíncter anal externo é inervado pelo nervo retal caudal, um ramo terminal do nervo pudendo. Esse nervo somático fornece o controle motor voluntário necessário para a continência fecal.

  • Vascularização: Suprido por ramos da artéria retal caudal, um ramo da artéria pudenda interna.

  • Drenagem linfática: Principalmente para os nódulos linfáticos inguinais superficiais e linfonodos ilíacos mediais.

  • Importância clínica:

    • A perda de função pode ocorrer com lesão do nervo pudendo (por exemplo, após distocia ou trauma pélvico).

    • A palpação do tônus do esfíncter anal externo é utilizada em exames neurológicos para avaliar a função da medula espinal sacral.

    • O tônus do esfíncter anal externo contribui para a continência; a disfunção pode resultar em incontinência fecal, frequentemente observada em lesões da medula espinal ou neuropatias.

Referências

Dyce KM, Sack WO, Wensing CJG. Textbook of Veterinary Anatomy. 5th ed. Saunders; 2017.

Evans HE, de Lahunta A. Miller’s Anatomy of the Dog. 5th ed. Elsevier; 2020.

König HE, Liebich HG. Veterinary Anatomy of Domestic Mammals: Textbook and Colour Atlas. 6th ed. Schattauer; 2020.

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