Nervo acessório

Nervus accessorius

  • Sinônimo em latim: Nervus cranialis XI
  • Sinônimo: Willis

Definição

Muhammad A. Javaid

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Número: XI

Nome: Acessório (frequentemente separado em nervo acessório craniano e nervo acessório espinal)

Sensitivo, motor ou misto: Predominantemente motor

Origem/Alvo: Raiz craniana (Nervo acessório) e Raiz espinal (Nervo acessório)

Núcleos: Núcleo ambíguo, Núcleo acessório espinal

Função: Controla o músculo esternocleidomastóideo e o músculo trapézio, e compartilha funções com o nervo vago (NC X). Sintomas de lesão: incapacidade de encolher os ombros, fraqueza nos movimentos da cabeça.

Descrição:

O nervo acessório, ou 11º nervo craniano (NC XI), é predominantemente um nervo motor responsável pela inervação de músculos específicos da região do pescoço e do ombro, contribuindo também para determinados movimentos do palato mole, da faringe e da laringe, em associação com o nervo vago. É único entre os nervos cranianos por possuir origens craniana e espinal, que juntas formam seus dois componentes distintos: a raiz craniana e a raiz espinal.

Núcleos e Formação:

Núcleo da Raiz Craniana (núcleo ambíguo)

A raiz craniana do nervo acessório origina-se do núcleo ambíguo, localizado na medula oblongata.

O núcleo ambíguo recebe fibras corticonucleares de ambos os hemisférios cerebrais, o que permite o controle motor coordenado.

Núcleo da Raiz Espinal

A raiz espinal origina-se do núcleo espinal do nervo acessório, localizado na coluna cinzenta anterior da medula espinal, nos cinco segmentos cervicais superiores (C1-C5).

O núcleo espinal também recebe fibras dos tratos corticoespinais de ambos os hemisférios cerebrais, garantindo o controle central de suas saídas motoras.

Emergência e Trajeto:

Raiz craniana

A raiz craniana emerge da face esternocostal da medula oblongata, no sulco entre a oliva e o pedúnculo cerebelar inferior > Em seguida, percorre lateralmente a fossa posterior do crânio, unindo-se à raiz espinal. Juntas, saem do crânio pelo forame jugular > Após sair do crânio, a raiz craniana separa-se da raiz espinal e une-se ao nervo vago (NC X). Contribui com fibras para os ramos faríngeo e laríngeo recorrente do nervo vago:

Ramo faríngeo: Inerva os músculos da faringe e do palato mole (exceto o músculo tensor do véu palatino).

Ramo laríngeo recorrente: Inerva os músculos intrínsecos da laringe (exceto o músculo cricotireóideo).

Raiz espinal

A raiz espinal origina-se de neurônios motores no núcleo espinal do nervo acessório, nos segmentos C1-C5 da medula espinal > As fibras emergem entre as raízes anterior e posterior dos nervos espinais cervicais, formando um único tronco nervoso > Esse tronco ascende em direção ao crânio, passando pelo forame magno, e une-se brevemente à raiz craniana. Ambas as raízes saem juntas pelo forame jugular, mas logo se separam novamente > A raiz espinal segue então em direção inferior e lateral, penetrando no músculo esternocleidomastóideo pela sua face profunda para fornecer inervação motora. O nervo continua pela região cervical lateral e alcança a margem superior do músculo trapézio, ao qual também se destina.

Músculo esternocleidomastóideo: Facilita os movimentos de rotação e inclinação da cabeça para o lado oposto (o nervo acessório direito provoca rotação e inclinação para a esquerda).

Músculo trapézio: Controla a elevação do ombro (por exemplo, encolher os ombros) e auxilia em determinados movimentos do braço, como puxar ou alcançar objetos acima da cabeça.

Resumo do trajeto:

  • Raiz craniana: Medula oblongata → Fossa posterior do crânio → Une-se à raiz espinal → Sai pelo forame jugular → Une-se ao nervo vago → Contribui para a inervação dos músculos do palato mole, da faringe e da laringe.

  • Raiz espinal: Segmentos espinais C1-C5 → Ascende pelo forame magno → Une-se à raiz craniana → Sai pelo forame jugular → Separa-se → Inerva o músculo esternocleidomastóideo e o músculo trapézio.

Ações:

Ações da raiz craniana (por meio das contribuições ao nervo vago):

Garante a deglutição coordenada e a fonação (fala) por meio de seu papel nos movimentos do palato, da faringe e da laringe.

Ações da raiz espinal:

Músculo esternocleidomastóideo: Rotaciona a cabeça para o lado oposto.

Músculo trapézio: Eleva o ombro (por exemplo, encolher os ombros).

Disfunção Clínica:

A lesão do nervo acessório pode ocorrer em decorrência de trauma (por exemplo, procedimentos cirúrgicos na região cervical lateral), tumores ou condições neurológicas. As lesões podem comprometer a função motora do músculo esternocleidomastóideo e do músculo trapézio:

  • Fraqueza do músculo esternocleidomastóideo: Dificuldade para girar a cabeça para o lado oposto ao da lesão. Exemplo: o paciente pode ter dificuldade para girar a cabeça para a esquerda se o nervo acessório direito estiver lesado.

  • Fraqueza do músculo trapézio: Dificuldade para elevar o ombro (por exemplo, encolher os ombros). Queda do ombro no lado afetado.

  • Papel na disfunção craniana (raiz craniana): Como contribui para o nervo vago, as lesões do nervo acessório podem causar rouquidão, dificuldade de deglutição ou fonação prejudicada devido à disfunção dos músculos da faringe e da laringe.

  • Teste clínico: Para avaliar a lesão da raiz espinal, solicita-se ao paciente que encolha ambos os ombros contra resistência (função do músculo trapézio) e que gire a cabeça contra resistência (função do músculo esternocleidomastóideo). A fraqueza em um dos lados sugere lesão do nervo acessório.

Referências

  • Snell, R.S. (2010). ‘Chapter 11: The cranial nerve nuclei and their central connections and distribution’, in Clinical Neuroanatomy. (7th ed.) Philadelphia: Wolters Kluwer Health/Lippincott Williams & Wilkins, pp. 355-356.

  • Bordoni B, Reed RR, Tadi P, et al. Neuroanatomy, Cranial Nerve 11 (Accessory) [Updated 2023 Jul 17]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2024 Jan-. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK507722/

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