Habênula

Habenula

Definição

Fernando Feltrin

Anatomicamente, as habênulas são estruturas discretas em tamanho, instaladas em par na região convencionalmente denominada epitálamo, mais especificamente adjacentes ao terceiro ventrículo (posteromedial ao tálamo, ao nível das comissuras posteriores), com circuitarias próprias bem definidas que fazem interface do mesencéfalo com o tronco encefálico.

Aprofundando, assim como a amígdala, a habênula possui divisões próprias denominadas simplesmente por lateral e medial, núcleos que se distinguem funcionalmente por suas particularidades / propriedades celulares e histoquímicas. Em sua porção lateral, a habênula é majoritariamente comporta por populações de neurônios glutamatérgicos, enquanto sua porção medial é demarcada por populações de neurônios colinérgicos.

A nível de aferências / projeções de entrada, as habênulas possuem vias de comunicação muito bem definidas com estrutura dos núcleos da base (em especial com o globo pálido), com o hipocampo e com estruturas acessórias delegadas às entradas sensoriais. Já no que tange as suas eferências / projeções de saída, é notável sua interação com o estriado (ação inibitória de neurônios dopaminérgicos) e com os núcleos da rafe (modulação serotoninérgica). Além dos neurotransmissores citados, cabe destacar que as habênulas também estão envolvidas, mesmo que indiretamente, com a modulação de circuitarias por GABA, acetilcolina e monoaminas como serotonina e norepinefrina.

Por conta destas particularidades, para as habênulas é associada como comportamento / propriedade sua capacidade de promover estímulos aversivos (“anti-recompensa”), fator chave para o tratamento de comportamentos adictos e / ou para traços impulsivos de tomadas de decisão orientadas por perda / valor (recompensa).

Referências

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