Nervo espinal L3

Nervus spinalis L3

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Definição

Muhammad A. Javaid

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O terceiro nervo espinal L3 é um nervo misto, contendo fibras eferentes somáticas (motoras) e aferentes somáticas (sensitivas). Origina-se da medula espinal no segmento espinal L3.

a) Raízes

Assim como os demais nervos, o nervo espinal L3 é formado pela união de duas raízes:

1. Raiz posterior (dorsal):

  • Essa raiz contém fibras sensitivas que conduzem sinais de estruturas periféricas (inervadas pelos ramos anterior e posterior) até a medula espinal.

  • Essas fibras penetram no corno cinzento dorsal da medula espinal.

2. Raiz anterior (ventral):

  • Essa raiz é constituída por fibras motoras originadas do corno cinzento anterior da medula espinal.

  • Essas fibras transmitem comandos motores aos músculos periféricos por meio do nervo espinal e de seus ramos.

b) Nervo espinal misto e ramos

No nível do forame intervertebral, as raízes anterior e posterior se unem para formar o nervo espinal L3. Esse nervo misto, contendo fibras sensitivas e motoras, emerge pelo forame intervertebral entre as vértebras L3 e L4. Logo após sua emergência, o nervo se divide em dois ramos primários:

1. Ramo anterior (ventral):

  • Esse ramo se subdivide em divisões ventral e dorsal, que contribuem para o plexo lombar, fornecendo inervação motora e sensitiva a estruturas, principalmente dos membros inferiores.

  • Também estabelece conexões com o tronco simpático por meio dos ramos comunicantes cinzentos, que conduzem fibras simpáticas pós-ganglionares (os ramos comunicantes brancos estão ausentes nesse nível).

2. Ramo posterior (dorsal):

  • Esse ramo fornece inervação motora aos músculos profundos do dorso.

  • Também fornece inervação sensitiva à pele que recobre o dorso.

A. RAMO ANTERIOR DO NERVO ESPINAL L3:

O ramo anterior é a divisão maior do nervo espinal L3. Como nervo misto, conduz fibras eferentes somáticas (motoras) e aferentes somáticas (sensitivas). Após deixar a coluna vertebral, contribui de forma significativa para o plexo lombar, uma rede de nervos localizada no interior do músculo psoas maior. O ramo anterior de L3 atua em conjunto com os ramos anteriores de L1, L2, L4 e, ocasionalmente, T12 para formar esse plexo.

Principais funções e inervações

Inervação motora (fibras eferentes somáticas):

Inervação sensitiva (fibras aferentes somáticas):

O ramo anterior de L3 contém fibras motoras (eferentes somáticas) que percorrem os ramos do plexo lombar para inervar numerosos músculos:

1- Ramos diretos: Músculo psoas maior (L1–L3) e músculo quadrado do lombo (T12–L4).

2- Nervo femoral (L2, L3, L4) – ramos musculares:

a) Músculo ilíaco (L2, L3)

b) Músculos anteriores da coxa, incluindo o músculo pectíneo (L2, L3 – inervação dupla pelos nervos femoral e obturatório), o músculo sartório (L2, L3) e o grupo do músculo quadríceps femoral (L3, L4).

3- Nervo obturatório (L2, L3, L4) – ramos musculares anteriores e posteriores:

Adutores da coxa, como o músculo adutor curto (L2, L3), o músculo adutor longo (L2–L4), o músculo adutor magno (L2–L4; inervação dupla com o nervo tibial), o músculo grácil (L2, L3), o músculo pectíneo (L2, L3; inervação dupla com o nervo femoral) e o músculo obturador externo (L3, L4).

As fibras sensitivas somáticas do ramo anterior do nervo espinal L3 se estendem até a pele por meio dos seguintes nervos:

1- Nervo cutâneo femoral lateral (L2, L3): Aferência sensitiva da pele da face anterolateral da coxa.

3- Nervo femoral (L2, L3, L4): Aferência sensitiva da face anterior da coxa, do joelho anteromedial, da face medial da perna e do pé medial.

4- Nervo obturatório (L2, L3, L4): Aferência sensitiva da pele da face medial superior da coxa.

5- Contribuições sensitivas para a articulação do quadril pelos nervos obturatório e femoral.

B. RAMO POSTERIOR DO NERVO ESPINAL L3:

O ramo posterior do nervo espinal L3 — de modo semelhante aos ramos posteriores dos demais nervos espinais lombares — inerva principalmente os músculos intrínsecos profundos do dorso e a pele que os recobre, desempenhando, assim, papel fundamental na estabilização e no movimento da coluna vertebral. Após o nervo espinal L3 emergir pelo forame intervertebral (entre as vértebras L3 e L4), seu ramo posterior atravessa o ligamento intertransversário e o músculo intertransversário sobrejacente, ramificando-se em ramos lateral e medial:

Ramo lateral:

Ramo medial:

Ramos musculares: O ramo lateral fornece inervação motora aos componentes músculo longuíssimo e músculo íliocostal dos músculos eretores da espinha.

Ramos cutâneos: O ramo lateral torna-se cutâneo após perfurar a margem lateral do músculo íliocostal do lombo e a aponeurose do músculo latíssimo do dorso. Em seguida, fornece inervação sensitiva à pele glútea acima da crista ilíaca. Esses ramos cutâneos terminais dos ramos laterais dos ramos posteriores dos nervos L1, L2 e L3 são também conhecidos como nervos cluniais.

O ramo medial cruza a junção do processo articular superior e do processo transverso da vértebra L4, curvando-se medialmente para fornecer:

Ramos articulares: Suprem as articulações intervertebrais facetárias (zigoapofisárias).

Ramos musculares: O ramo medial desce ao longo da lâmina, profundamente ao músculo multífido, inervando-o a partir de sua face mais profunda.

Ramo interespinhoso: Origina-se do ramo medial na lâmina, percorrendo medialmente entre os fascículos do músculo multífido para inervar os músculos interespinhosos e o ligamento.

C. ESTRUTURAS ADICIONAIS ASSOCIADAS AO NERVO ESPINAL L3:

a) Nervo meníngeo recorrente (ramo meníngeo):

O nervo meníngeo recorrente (ou ramo meníngeo) origina-se do nervo espinal L3 ou de um de seus ramos. Esse pequeno nervo reingressa no canal vertebral pelo forame intervertebral e fornece inervação sensitiva a:

  • As meninges (coberturas protetoras da medula espinal),

  • O ânulo fibroso dos discos intervertebrais,

  • Os corpos vertebrais e o periósteo,

  • Os vasos sanguíneos adjacentes.

b) Conexões simpáticas:

Por meio dos ramos comunicantes cinzentos, o nervo espinal L3 conecta-se ao tronco simpático, permitindo que as fibras simpáticas pós-ganglionares alcancem alvos periféricos, como as glândulas sudoríparas e os vasos sanguíneos.

Referências

  • Snell, R.S. (2010). ‘Chapter 14: The spinal cord and the ascending and descending tracts’, in Clinical Neuroanatomy. (7th ed.) Philadelphia: Wolters Kluwer Health/Lippincott Williams & Wilkins, pp. 137.

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  • Bogduk, N., Wilson, A. & Tynan, W. (1982) 'The human lumbar dorsal rami', Journal of Anatomy, 134, p. 383.

  • Boelderl, A., Daniaux, H., Kathrein, A. & Maurer, H. (2002) 'Danger of damaging the medial branches of the posterior rami of spinal nerves during a dorsomedian approach to the spine', Clinical Anatomy, 15, pp. 77–81.

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