Trato espinocerebral posterior
Tractus spinocerebellaris posterior
- Sinônimo: Trato de Flechsig
- Epônimo em latim: Fasciculus Flechsigi
- Epônimo: Flechsig
Definição
O trato espinocerebral posterior é uma via sensorial ascendente que conduz informações proprioceptivas inconscientes dos fusos musculares, dos órgãos tendinosos de Golgi e dos receptores articulares ao cerebelo. Essas informações sobre os movimentos dos músculos e das articulações e a tensão associada nos tendões são processadas pelo cerebelo para coordenar os movimentos musculares e manter a postura e a marcha.
Os neurônios sensoriais de primeira ordem se originam no gânglio da raiz posterior, com seus axônios entrando nos cornos posteriores da substância cinzenta da medula espinal pelas radículas posteriores do nervo. Essas fibras fazem sinapse com neurônios de segunda ordem no núcleo dorsal (coluna de Clarke), localizado na subtância cinzenta intermédia lateral (lâmina VII ou a base) dos cornos posteriores dos segmentos espinais C8–L3. As fibras proprioceptivas que entram em níveis fora de C8–L3 (nervos espinais cervicais superiores ou lombares inferiores e sacrais) ascendem ou descendem na medula para alcançar a coluna de Clarke.
Os axônios sensoriais de segunda ordem provenientes do núcleo dorsal ascendem no funículo lateral, subindo ipsilateralmente como o trato espinocerebral posterior. Essas fibras alcançam a medula oblongata e entram no cerebelo pelo pedúnculo cerebelar inferior, terminando no córtex cerebelar.
Lesões na medula espinal lateral, que afetam os tratos espinocerebelares, podem comprometer a coordenação, levando a déficits motores como nistagmo, dismetria, disdiadococinesia e desequilíbrio da marcha, tipicamente ipsilaterais à lesão.
Referências
Snell, R.S. (2010). ‘Chapter 4: The Spinal Cord and the Ascending and Descending Tracts’, in Clinical Neuroanatomy. (7th ed.) Philadelphia: Wolters Kluwer Health/Lippincott Williams & Wilkins, pp. 149-152.